×

3° LUGAR – POESIA INTERNACIONAL – IX Concurso Literário “Cidade de Ouro Branco”

Liberdade

José Manuel Cardoso Moreira
Valbom/Portugal

Areia não é palavra que caiba nas linhas dos olhos;
noite não é sombra que apodreça as sementes;
arma não é medo que vigie o tempo das manhãs;
grade não é cimento que aprisione a madrugada;
sal não é sangue que estilhace o mar dos barcos;
pedra não é cor que inunde os muros das cidades;
espada não é forma de interditar a voz dos homens;
chuva não é sombra para destroçar o mundo das colheitas;
silêncio não é braço para roubar o pólen às palavras;
vampiro não é grito que atravesse as mãos de maio;
nem a tirania é aço para desprender as uvas do poema.

Os meus espaços têm a mais aberta água do mar;
o chão onde me acendo é uma viva pétala de carne;
a lâmpada é o campo mais vermelho da minha voz;
o girassol, o azul que se desprende no vento das bandeiras;
a árvore não é a sombra, mas a sinfonia da primavera nas aves;
o trigo, uma estrela de esperança nos anos da memória;
o espelho, um chão para escrever a pátria no tempo das crianças;
a vida, a mão a recolher as entrelaçadas matérias da alegria;
o branco, a disparar sementes para todos os lugares;
o anjo, a levantar o sagrado dos seus olhos pelos corações do mundo;
a canção do sol, a projetar do mar para a cor dos nossos pensamentos;
a palavra, espalhada pelo dia, numa inseparável voz do infinito.



Share this content:

Publicar comentário