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1° lugar – PROSA ESTUDANTIL – CONTO – INTERMEDIÁRIO – Escola Estadual Iracema de Almeida – IX Concurso Literário “Cidade de Ouro Branco”

Eco

Ediane Oliveira de Jesus
1ª série – Automação 1

No dia 19/01/2026, estávamos voltando do Espírito Santo com a excursão da minha vó. Estavam comigo minha família, amigos próximos e o nosso motorista, Renato, que já era como parte da família para nós.

Estava marcado para sairmos do Espírito Santo às 17h, mas acabamos adiantando a viagem em 30 minutos e saímos às 16h30.

Depois de algumas horas de estrada, fizemos uma parada. Minha mãe, Kacau, perguntou ao motorista Renato:

— E aí, Renatinho, que horas vamos chegar em Ouro Branco?

Ele respondeu:

— À 1h da manhã estaremos lá, se Deus quiser.

Nessa parada havia um boneco bem grande vestido de motorista, e meu irmão Samuel ficou brincando, dizendo que o boneco era o Renato.

Logo depois, entramos no ônibus e seguimos em direção a Ouro Branco.

Com menos de duas horas de viagem, meu primo Enzo, de apenas 7 anos, disse ao pai dele, meu tio Rodrigo:

— Hoje vai dar tudo errado, pai.

Apenas isso.

Meu tio Rodrigo não deu muita importância, por ele ser criança e talvez nem souber o que estava dizendo.

Ao passarmos por uma cidade chamada Muriaé, o ônibus em que estávamos colidiu com uma carreta. Disseram que a carreta estava ultrapassando um carro pequeno. O motorista Renato tentou desviar, mas o pneu dianteiro do ônibus caiu em um bueiro, e a carreta atingiu toda a lateral do lado do motorista.

Renato ficou desacordado no momento da batida.

Houve muitos feridos dentro do ônibus e vários pedidos de misericórdia a Deus.

Minha mãe, Kacau, começou a me procurar para saber se eu estava bem. Depois disso, foi até Renato, chamou por ele várias vezes, mas ele não respondia.

Ela voltou e disse ao meu tio Rodrigo:

— Rodrigo, olha o Renato, porque eu acho que ele morreu.

Então, meu tio foi até ele.

Kacau voltou para tentar chamar socorro, mas não sabíamos onde estávamos. Ela ligou para a polícia, e um senhor que passava pela BR parou para nos ajudar e informou nossa localização.

Minha mãe pediu que alguns homens quebrassem o vidro do ônibus para que pudéssemos sair pelas janelas, porque a porta estava danificada e não dava para passar.

Então, quebraram a janela e fomos saindo um por um.

Kacau foi uma das últimas pessoas a sair. Antes disso, ligou para minha tia Lídia, que estava em Ouro Branco, e pediu que ela acionasse o resgate de Ouro Branco para Muriaé, no distrito de Vermelho.

O acidente aconteceu por volta das 22h08.

Depois de cerca de 20 minutos, quase não havia mais ninguém dentro do ônibus, exceto Renato e alguns adultos.

Cerca de 40 minutos depois, o resgate começou a chegar.

Quando a ambulância chegou, os socorristas foram direto até Renato, que ainda estava preso às ferragens do ônibus.

Pouco tempo depois, infelizmente, confirmaram que era tarde demais. Nosso motorista, amigo e irmão já tinha partido.

Eles avisaram meu padrasto, Felipe, que estava ao lado de Renato no momento da batida. Ele sofreu apenas ferimentos na perna, no braço e no rosto.

Felipe contou para minha mãe, Kacau, mas ela não queria acreditar que aquilo era verdade. Foi necessário que policiais, bombeiros e até uma técnica de enfermagem, que prestava os primeiros socorros antes da chegada do SAMU, confirmassem:

— Infelizmente, o óbito já foi constatado.

Pediram para cobri-lo e usaram a coberta que eu estava utilizando.

Ao todo, chegaram nove ou mais ambulâncias ao local.

Um pastor chamado Adão, que ouviu a batida, acolheu todos os passageiros em sua igreja. Ficamos lá até por volta das 10h40 do dia 20 de janeiro, esperando outro ônibus chegar para buscar os passageiros.

Até hoje não entendemos por que o carreteiro tentou ultrapassar em uma curva.

Perdemos nosso amigo, que se tornou parte da nossa família, e vamos lembrar para sempre do herói que ele foi ao salvar 53 vidas.

E lembrando do Enzo, uma criança de apenas 7 anos, que parecia já saber o que iria acontecer. Ele disse ao pai, Rodrigo:

— Eu disse, pai, que ia dar tudo errado. Deus me mostrou.

Deus nos deu um livramento para que o ônibus não caísse na barranqueira e 54 pessoas não morressem.

Infelizmente, Renato se foi para salvar os outros. Mas esperamos que ele esteja vivendo uma vida melhor no céu e que Deus cuide dele lá de cima.

“Você foi um herói na Terra e agora vai descansar no céu, nosso favorito e melhor motorista.”

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