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3° LUGAR – POESIA NACIONAL – IX Concurso Literário “Cidade de Ouro Branco”

Verso e reverso do êxodo

André Luís Soares
Guarapari/ES

Eu, brotado da miséria,
ainda cuspo a poeira
de minha sina retirante…
em cada curva, penúria;
em toda cova, saudades;
em todo beijo… aguardente;
e entre estrelas e histórias
dos semblantes de pavor,
já perdi o rumo destro
pela noite em que sequestro
o sonho torpe do invasor.

Eu, vestido de esperança,
vejo vida no que é seco,
seja arbusto, rio ou gente…
colho força em andores
de minha fé intermitente;
mas cansei de ser servil
nas beiradas desse mar
de sorrisos estridentes
e não me arrependo mais
dos crimes que cometi
sempre tentando acertar.

Eu todo feito de anseios
que hoje cavalgam corcéis,
busco abrigo no silêncio
de quem olha e nada vê…
e com músculos mais tensos
guardo feras no escuro
de minha selva interior.
Já refiz o horizonte
entre musgo e tons pastéis
por esses tantos placebos
que reinvento para a dor.

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