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2° LUGAR – CRÔNICA INTERNACIONAL – IX Concurso Literário “Cidade de Ouro Branco”

Lidar com o intransigente orador da balela

Bruno Campos
Amarante/Portugal

Desmistificar uma mentira em que alguém crê valentemente é uma tarefa hercúlea.
Quando o errante se entrega de corpo e alma, é uma parte especial de si que está em jogo.
Destruí-la é melindrar a autoidentidade do sujeito. Da humilhação à perda, o processo
psicológico envolvido pode ser exigente para o visado.

É preciso, pois, como sabemos, particular cuidado a lidar com seres humanos. Mas
passemos à parte processual propriamente dita. Há uma receita para o sucesso da arte de
poligrafar e acabar por ser acreditado pelo mentiroso (in)voluntário?

Não faça movimentos bruscos; a sério, moderação na carga discursiva é aconselhável.
Fulano, sentindo-se ameaçado, atacará. E desprover-se-á de dó quanto mais sentir disrupção do
atrevido oponente.

Apalpe terreno e vá testando o seu adversário. O defensor da balela está carregado de
sustento argumentativo? Ou as suas munições são, coitado, simplórias? Avance e adapte a sua
resposta: rebata a alegação na mesma medida. Não se canse sempre: dê o seu melhor no
primeiro caso, poupe esforços no segundo. A sua saúde está no mais premente lugar.

Deve desconstruir os pontos falaciosos ou faltosos. O conteúdo e a forma a aplicar, para
que transpire coerência, procure-os que os encontra. Todavia, vise não só diagnosticar a
inverdade, demonstre também o substrato do genuíno facto. A desconstrução apenas é possível
porque há uma edificação que lhe sucede. Para deitar abaixo o edifício em que nos movemos,
é preciso saber que se lhe seguirá, nesse terreno, um bloco mais robusto. Se o emissor da
patacoada estava afeiçoado ao antigo, ora bem, terá um novo para ser contemplado e fazê-lo
esquecer a tal crença.

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